10 Invenções que nasceram durante períodos de Guerra

Para além do sentido bélico, a palavra guerra é sinônimo também de um período de grande criatividade. Foi durante conflitos que o ser humano desenvolveu um grande número de aparelhos e objetos que são usados todos os dias em todo o planeta

1. Internet
invenção da guerra1O temor de um ataque soviético durante a Guerra Fria fez com que cientistas norte-americanos desenvolvessem uma rede de comunicação descentralizada, que permitisse dividir as informações em vários pedaços, chamada ARPANET. Assim, caso um espião da URSS tivesse acesso a informações de uma unidade militar dos EUA, conseguiria apenas um trecho de todo o projeto ou plano.
No início da década de 1990, a rede mundial de computadores acabou se popularizando de forma avassaladora, tornando-se, talvez, a mais importante de todas as invenções tecnológicas já surgidas durante uma guerra.Segundo dados do Internet World Stats (site americano com estatísticas atualizadas de internet), mais de 40% da América do Sul está conectada ao mundo, totalizando 162 milhões de pessoas. “Creio que o próximo avanço nessa área é o conceito de nuvem, que já está explorado pelo Google. Em um futuro próximo, seus dados e arquivos não ficarão mais no seu computador, fisicamente, mas sim na rede”, afirma Cesar De Rose, professor de Ciências da Computação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

2. Microondas

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A maneira com que o forno de microondas foi inventado é um tanto curiosa. Durante a Guerra Fria, um norte-americano que trabalhava na fornecedora militar Raytheon, Percy Spencer, inspecionava válvulas mecânicas usadas em radares e que geram energia, chamadas magnétrons. Depois de algum tempo perto desses equipamentos, Spencer percebeu que um chocolate que carregava no bolso havia derretido. Não demorou muito para que ele criasse um aparelho que aquecesse comida por meio desse princípio, que começou a ser utilizado em 1946.

A Raytheon comprou a ideia e lançou o primeiro microondas, que pesava 340 quilos e custava algo em torno de 2 mil dólares. “A grande maioria dos alimentos contém água, e esse forno gera ondas que são absorvidas pelas moléculas dos alimentos e mais facilmente pelas moléculas de água. É assim que os alimentos são esquentados”, explica Sergio Vitorino, professor do departamento de Física da Universidade Federal do Espírito Santo.

3. Panela de teflon

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Mais uma invenção que surgiu por acaso. Pouco antes de começar a Segunda Guerra Mundial, em 1938, Roy J. Plunket realizava experiências com gases para refrigeração nos Estados Unidos. Dr. Plunket e seu assistente, Jack Rebok, misturaram gases de nomes estranhos como o clorofluorcarbono (CFC) e o tetrafluoretileno (TFE) em busca de alternativas para refrigerar. O experimento não saiu como o planejado e o resultado foi uma substância em que quase nada grudava.

Em 1945, a invenção recebeu o nome de teflon. Os primeiros usuários do novo produto foram os militares americanos, que aplicaram o teflon para revestir tubos e vedações na produção de material radioativo para a primeira bomba atômica. Com o fim da Segunda Guerra, a substância passou a ser usada para os mais diversos fins, como o revestimento de panelas.

4. Computador

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Outro subproduto da Guerra Fria. Engenheiros da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, desenvolveram em 1946 um aparelho chamado Eniac, para auxiliar nos cálculos de artilharia. A máquina tinha mais de 2 m de altura e ocupava uma área de 15 m por 9 m, e o “modesto” custo de US$ 400 mil. Mal sabiam eles que a invenção invadiria lares e ultrapassaria a marca de um bilhão em 2008, com projeção de chegar a 2 bilhões em 2014 !

Segundo o professor de Ciências da Computação da PUCRS Cesar De Rose, “a grande evolução dos computadores ao longo dos anos não se deu em seu tamanho, capacidade ou custo, mas sim de maneira indireta, no software empregado. Pois o potencial dos computadores só é realmente explorado através do software”. Ou seja, embora os computadores de 2011 sejam mais baratos, rápidos e portáteis que aqueles verdadeiros “monstros” de décadas passadas, o diferencial mesmo foi a facilidade que os sistemas operacionais foram oferecendo aos seus usuários, permitindo que qualquer pessoa maneje um computador de maneira simples.

5. Margarina

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Durante a Guerra Franco-Prussiana (1870-1871), o então imperador da França Napoleão III, sobrinho de Napoleão Bonaparte, ofereceu um prêmio para quem conseguisse encontrar um substituto bom e barato para a manteiga, na época um produto caro e escasso.

Segundo a Associação Nacional de Margarina Manufaturada dos Estados Unidos, entidade criada com intuito de auxiliar no consumo moderado do produto, não demorou muito para que Hippolyte Mège-Mouriès, um químico francês, levasse o prêmio, em 1869, ao inventar o oleomargarina, que mais tarde viria a se chamar apenas de margarina.

Com preço mais acessível e sabor razoável, a margarina serviu tanto para abastecer as tropas de Napoleão durante a guerra como para oferecer uma opção de custo barato aos franceses mais pobres.

6. Absorvente

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Durante a Primeira Guerra Mundial, os militares precisavam de uma forma mais eficaz para cobrir feridas e fazer a bandagem de soldados, ainda mais em um período em que o algodão se tornava escasso. Segundo o Museu da Menstruação de New Carrollton (EUA), no ano de 1914, a companhia norte-americana Kimberly Clark descobriu que a polpa da celulose da madeira poderia virar mais do que simples papel, mas um material cinco vezes mais absorvente que o algodão, e significativamente mais barato, o cellucotton.

Em um tempo em que as mulheres usavam panos e objetos similares para sua menstruação, não demorou muito para as enfermeiras perceberem que o novo papel-absorvente da Kimberly poderia também ser usado com esta finalidade. A empresa redesenhou o produto, transformando-o no absorvente que as mulheres usam hoje.

7. Laser

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Em meio à guerra tecnológica travada entre norte-americanos e soviéticos durante a Guerra Fria o estudo da luz foi uma obsessão de ambas as partes. Se os americanos deram o primeiro passo, com a criação do maser (um dispositivo similar ao laser, que produz microondas em vez de luz visível, mas não em forma contínua), os soviéticos contra-atacaram com a criação de algo semelhante, mas que permitia a emissão de ondas de forma contínua.

Em 1960, um físico estado-unidense chamado Theodore H. Maiman montou o primeiro laser (cuja sigla em inglês significa Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation, ou seja, Amplificação da Luz por Emissão Estimulada de Radiação). Segundo a professora do departamento de Física do CTC/PUC-Rio, Isabel Cristina dos Santos, “de um modo simplificado, o laser é uma luz amplificada, que tem uma cor só e com comprimento de onda bem definido”. Atualmente, o laser é aplicado para diversos fins, como na indústria, na soldagem de carros e na medicina, como em cirurgias ópticas e de remoção de pedra nos rins.

8. GPS

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Presente em diversos tipos de celulares, notebooks e tablets atualmente, o GPS (sigla em inglês para Global Positioning System, ou “geo-posicionamento por satélite”) foi desenvolvido pelo sistema de defesa norte-americano, em 1973, durante a Guerra Fria. O intuito da invenção era superar as limitações dos sistemas de navegação da época.

Atualmente, os Estados Unidos mantêm cerca de 24 satélites artificiais em órbita, que cobrem toda a extensão da Terra. O GPS recebe sinais desses satélites e os utiliza para determinar sua posição no planeta.

9. Leite condensado

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Durante a Guerra de Secessão (1861-1865), conflito entre o norte industrializado dos Estados Unidos contra o sul escravista, os americanos buscavam uma maneira eficaz de melhorar o armazenamento do leite, reduzir seu volume e contornar a falta de refrigeração. Para tanto, eles evaporavam a água do leite e adicionavam açúcar, para conservá-lo por mais tempo. O resultado é o leite condensado como conhecemos hoje.

Segundo o instituto de pesquisa e história americana Smithsonian, Gail Borden, nascido em Nova York, descobriu como produzir o produto industrialmente e patenteou a invenção em 1851. O leite condensado amargou 10 anos no esquecimento, até o início da guerra, quando os estados do Norte incluíram o produto na ração básica das tropas, comprando-o em larga escala.

Não demorou até que o doce se popularizasse, passando a ser consumido no mundo inteiro. Os primeiros carregamentos de leite condensado chegaram ao Brasil no início do século passado.

10. M&M’s

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Em meio à Guerra Civil Espanhola (1936-1939), um empresário americano chamado Forrest Mars descobriu que alguns soldados comiam pelotas de chocolate, envolvidas artesanalmente por uma casca dura de açúcar. A função da casca era impedir o derretimento da guloseima, já que as tropas transportavam tudo em mochilas e bolsos.

Forrest, então, patenteou a ideia e levou para os Estados Unidos. Elas foram batizadas de confeitos M&M’s, nome originado das iniciais dos sobrenomes de Mars e de seu sócio, Bruce Murrie, com o clássico jargão “derrete na sua boca, não na sua mão”.

Segundo o site oficial da empresa, o ‘boom’ do chocolate ocorreu em 1941, quando os M&M’s passaram a ser incluídos no pacote alimentar dos soldados norte-americanos que foram à Segunda Guerra Mundial, tornando o produto famoso globalmente.

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